domingo, 3 de agosto de 2014

"Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé
para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir.
Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e
me esforçar em me manter ocupado
para não provocar compaixão (...)
Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar.
Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal,
sem acordar durante a chuva mais revolta,
sem adormecer diante da chuva mais branda.
Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho.
Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento.
Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho
depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho.
Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social.
Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes.
Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho.
Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim.
Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família,
que não me deixa ao menos dar errado.
Meu maior medo é escutar uma música,
entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo.
Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão
seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço.
Meu maior medo é escrever para não pensar."

Fabrício Carpinejar

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